Polícia Empresas de fachada
PF prende MC Ryan, Poze do Rodo e dono da Choquei em operação contra esquema de R$ 1,6 bilhão
De acordo com as investigações, o grupo é suspeito de operar um sofisticado esquema de ocultação de recursos que teria movimentado mais de R$ 1,6 bilhão, tanto no Brasil quanto no exterior
15/04/2026 15h28
Por: Flavia Moreira
REPRODUÇÃO INTERNET

A Polícia Federal realizou, na manhã desta terça-feira (15), uma grande ofensiva contra um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou cifras bilionárias no país. Batizada de Operação Narcofluxo, a ação resultou na prisão dos cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além do influenciador Raphael Sousa Oliveira, associado à página Choquei.

De acordo com as investigações, o grupo é suspeito de operar um sofisticado esquema de ocultação de recursos que teria movimentado mais de R$ 1,6 bilhão, tanto no Brasil quanto no exterior. A estrutura envolvia empresas de fachada, intermediários e transações financeiras complexas, incluindo o uso de criptoativos.

A operação mobilizou mais de 200 policiais federais, que cumpriram mandados de prisão temporária e de busca e apreensão em diversos estados, entre eles São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Goiás, Paraná, Santa Catarina, Maranhão, Espírito Santo e o Distrito Federal.

Segundo a Polícia Federal, a organização utilizava diferentes estratégias para disfarçar a origem ilícita do dinheiro, como movimentações em espécie, uso de plataformas digitais e atividades como rifas online e apostas ilegais. Ainda conforme a corporação, o setor musical e a atuação nas redes sociais teriam sido explorados para dar aparência de legalidade aos valores.

Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos veículos de luxo, joias, relógios, dinheiro em espécie, armas, documentos e dispositivos eletrônicos. O material deve contribuir para o aprofundamento das investigações.

As apurações indicam que MC Ryan SP teria papel central na engrenagem do esquema, sendo apontado como um dos principais responsáveis pela movimentação e ocultação de recursos, incluindo o uso de empresas e pessoas próximas para mascarar patrimônio.

Já Raphael Sousa Oliveira é investigado por atuar como operador de mídia, sendo responsável pela divulgação de conteúdos favoráveis ao grupo e pelo gerenciamento de crises de imagem. A Polícia Federal aponta que ele teria recebido quantias elevadas diretamente dos investigados.

O cantor MC Poze do Rodo, por sua vez, aparece vinculado a empresas e estruturas financeiras relacionadas à circulação dos valores sob investigação.

As defesas dos envolvidos informaram que ainda não tiveram acesso aos autos, que tramitam sob sigilo. Em nota, os advogados de MC Poze afirmaram que só irão se manifestar após conhecerem o conteúdo do processo. A defesa de MC Ryan SP também declarou não ter acesso às informações, mas destacou a regularidade das movimentações financeiras do artista.

Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de bens, quebra de sigilos e outras medidas cautelares com o objetivo de interromper as atividades do grupo e garantir eventual ressarcimento aos cofres públicos.

Os investigados poderão responder por crimes como associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A Polícia Federal informou que as investigações continuam e novas fases da operação não estão descartadas.